Bíblia em Contos

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As Duas Testemunhas do Apocalipse

Era uma vez, no reino celestial, um mistério profundo que se desenrolava nos bastidores da história humana. Dois personagens extraordinários, conhecidos apenas como as duas testemunhas, foram levantados pelo próprio Deus para cumprir uma missão divina durante os dias mais sombrios da terra.

O cenário era a grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde também nosso Senhor foi crucificado. Jerusalém, outrora cidade da paz, havia se tornado um lugar de rebelião e impiedade. As ruas outrora sagradas agora ecoavam com blasfêmias, e o templo que deveria ser casa de oração havia se transformado em mercado de corrupção espiritual.

Então desceu do céu um anjo poderoso, cujo rosto brilhava como o sol e cujas vestes eram brancas como a luz. Em suas mãos, ele trazia uma vara de medir de ouro puro, e com voz que ecoava como trovão, declarou: “Levante-se e meça o templo de Deus, e o altar, e os que ali adoram. Mas deixe de lado o átrio exterior, pois foi dado aos gentios, que pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses.”

Assim começou o ministério das duas testemunhas, vestidas de saco, símbolo de luto e juízo. Elas eram as duas oliveiras e os dois candeeiros que permanecem diante do Senhor da terra. Seus nomes não foram revelados, mas seu poder era evidente: se alguém tentasse lhes fazer mal, fogo saía de suas bocas e consumia seus inimigos. Tinham poder para fechar o céu, para que não chovesse durante os dias de sua profecia, e poder sobre as águas para convertê-las em sangue, bem como para ferir a terra com toda sorte de pragas.

Durante mil duzentos e sessenta dias, elas profetizaram com voz que não podia ser ignorada. Suas palavras eram como espadas afiadas, cortando através da falsidade e hipocrisia da época. Enquanto pregavam, o céu permanecia seco como bronze, e a terra começava a mostrar fissuras de sede. Rios outrora caudalosos transformavam-se em sangue, e pragas misteriosas assolavam os que se opunham à mensagem divina.

A população da cidade dividia-se entre ódio e temor. Alguns reconheciam a mão de Deus através delas, mas a maioria amaldiçoava seus nomes, culpando-as pela seca e sofrimento que haviam caído sobre a terra. Os líderes religiosos corruptos conspiravam contra elas, enquanto os governantes ímpios planejavam sua destruição.

Quando se completaram os mil duzentos e sessenta dias de testemunho, chegou o momento predestinado. A besta que sobe do abismo, criatura terrível com chifres como de cordeiro mas que falava como dragão, moveu-se com ódio satânico. Ela guerreou contra as duas testemunhas, e as venceu, matando-as.

Seus corpos jaziam na praça principal da grande cidade, onde seu Senhor fora crucificado. Por três dias e meio, o mundo inteiro contemplou a cena através de telas e dispositivos. Povos de todas as nações, tribos e línguas olhavam para aqueles corpos e não permitiam que fossem sepultados. Celebravam com festas, trocavam presentes e alegravam-se enormemente, pois esses dois profetas haviam atormentado os que habitavam sobre a terra.

Mas Deus tinha o último capítulo desta história. Após três dias e meio, um sopro de vida vindo do céu entrou neles, e eles se levantaram sobre seus pés. Grande temor caiu sobre todos os que os contemplavam. Então ouviu-se uma voz poderosa vinda do céu, dizendo: “Subam para aqui.” E eles subiram ao céu numa nuvem, enquanto seus inimigos os observavam.

Na mesma hora, houve grande terremoto, e caiu a décima parte da cidade, e sete mil pessoas foram mortas no terremoto. Os sobreviventes, aterrorizados, deram glória ao Deus do céu, reconhecendo finalmente Sua soberania.

Assim se cumpriu o mistério de Deus, demonstrando que mesmo na aparente derrota, Sua vitória é certa. O segundo ai passou, mas eis que o terceiro ai vem rapidamente, anunciando que a história da redenção segue seu curso inexorável até o grande dia do Senhor.

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