Bíblia em Contos

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Fé Inabalável em Tessalônica

Era uma vez, numa cidade distante chamada Tessalônica, onde o apóstolo Paulo havia plantado uma igreja fervorosa entre perseguições e lágrimas. Após ser forçado a partir abruptamente, seu coração permaneceu ligado àqueles irmãos como um pai preocupado com seus filhos espirituais. Enquanto viajava por Atenas, uma inquietação sagrada consumia sua alma – ele precisava saber como estavam aquelas ovelhas deixadas no covil dos lobos.

Num quarto simples onde a luz das lamparinas dançava sobre pergaminhos, Paulo ditou uma carta a Timóteo com voz embargada: “Irmão, tu és meu filho na fé e confio em ti como a mim mesmo. Vai a Tessalônica e sonda o coração desses santos. Descobre se permanecem firmes na fé ou se as tribulações os fizeram vacilar”.

Timóteo partiu sob o céu cor de púrpura do amanhecer, seus pés levantando poeira na estrada romana enquanto orava em línguas. Durante semanas, Paulo esperou com o coração apertado, imaginando cada cenário possível. Às vezes acordava no meio da noite com visões de irmãos sendo arrastados perante tribunais, ou pior – abandonando a fé por medo da perseguição.

Finalmente, num dia em que o vento trazia o cheiro do mar Egeu, Timóteo regressou com o rosto iluminado por um sorriso celestial. Antes mesmo de tirar o manto poeirento, exclamou: “Mestre, boas-novas gloriosas! A fé dos tessalonicenses não apenas permanece, mas floresce como lírios entre espinhos!”

Paulo caiu de joelhos enquanto Timóteo narrava: “Eles mantêm viva a memória de teus ensinamentos, repetindo tuas palavras como pérolas preciosas. Mesmo quando os magistrados os ameaçam, respondem com amor. Quando os vizinhos os caluniam, oferecem a outra face. Suas casas tornaram-se santuários onde cantam hinos à meia-noite!”

Lágrimas rolavam pela face enrugada do apóstolo enquanto ouvia sobre Lídia, a vendedora de púrpura que agora ensinava as mulheres a orar, e sobre Jason, cuja casa fora saqueada mas que continuava hospedando reuniões secretas. “Eles não temem os que matam o corpo”, continuou Timóteo, “pois seus olhos estão fixos na volta de Cristo como estrelas guiando navegantes”.

Paulo ergueu as mãos ao céu num louvor silencioso antes de correr para sua mesa de escrever. Seu estilo dançava sobre o papiro com urgência divina: “Agora, sim, podemos viver, sabendo que vocês permanecem firmes no Senhor! Que notícia maravilhosa para estes olhos cansados! Irmãos, em meio a todas as nossas aflições e necessidades, vocês são nossa alegria, nossa coroa de vitória diante de Cristo quando Ele vier!”

Sua pena mergulhou novamente no tinteiro enquanto continuava: “O que podemos render a Deus por vocês? Que noite e dia oro incessantemente para que possamos ver seus rostos outra vez e completar o que falta em sua fé! Que o próprio Deus e Pai nosso, e nosso Senhor Jesus, abram caminho até vocês!”

Por horas, a luz da lamparina testemunhou enquanto o apóstolo derramava seu coração – exortações sobre pureza, instruções sobre o amor fraternal, revelações sobre a vinda do Senhor. Cada linha respirava o alívio de um pastor que descobre que seu rebanho não apenas sobrevive, mas prospera no inverno espiritual.

Quando a madrugada pintou listras douradas no horizonte, Paulo selou o rolo com cera quente, imaginando como essas palavras chegariam às mãos calejadas dos pescadores, aos ouvidos atentos das fiandeiras, aos corações ardentes daquela igreja que transformara perseguição em perfume de fé. E em seu peito ecoava uma oração que se tornaria eterna: “Que o Senhor faça crescer e transbordar o amor que vocês têm uns pelos outros e por todos”.

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