Bíblia em Contos

Bíblia em Contos

Bíblia

A Fé de Abraão: Justiça pela Confiança

Num tempo antigo, quando as promessas de Deus ainda ecoavam nas colinas da Judeia, havia um homem chamado Abraão, cuja história se tornaria o fundamento da fé para gerações futuras. Ele não era um homem perfeito – cometia erros, duvidava às vezes, e em momentos de fraqueza tentava resolver as coisas com suas próprias forças. Contudo, havia algo extraordinário em seu coração: uma confiança profunda no Deus que lhe falara.

Abraão caminhava sob o sol escaldante da Mesopotâmia quando ouviu pela primeira vez a voz divina. “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, e vai para a terra que te mostrarei”. Sem mapas, sem garantias, sem saber o destino final, ele partiu. Sua esposa Sara, já idosa, o acompanhava com um misto de esperança e ceticismo. Anos se passaram, e a promessa de um herdeiro parecia cada vez mais distante.

Enquanto as estrelas cintilavam no céu noturno do deserto, Deus levou Abraão para fora de sua tenda. “Olha para os céus e conta as estrelas, se é que podes”. O velho patriarca ergueu os olhos para a abóbada celeste, onde milhares de pontos luminosos dançavam na escuridão. “Assim será a tua descendência”. Naquele momento, algo milagroso aconteceu no coração de Abraão. Apesar de seu corpo já ter quase cem anos e o ventre de Sara estar biologicamente incapaz de gerar vida, ele creu. Não foi uma crença superficial, mas uma convicção que penetrou sua alma como a chuva na terra seca.

E as Escrituras registram que essa fé foi lhe atribuída como justiça. Não porque Abraão tivesse cumprido todos os mandamentos – a lei ainda não havia sido dada a Moisés – nem porque oferecera sacrifícios perfeitos. Sua justiça veio unicamente através da confiança no Deus que promete. Enquanto a lua banhava de prata as dunas do deserto, Abraão compreendeu que aquele que justifica o ímpio considera a fé como justiça.

Anos mais tarde, quando finalmente Isaque nasceu do ventre estéril de Sara, o milagre confirmou que Deus é poderoso para cumprir o que promete. Abraão contemplava o rostinho do menino, seus olhos brilhando com lágrimas de gratidão, entendendo que a herança não vem pelas obras da lei, mas através da justiça da fé. Assim, ele se tornou pai de todos os que creem, tanto os circuncidados quanto os incircuncidados.

O mesmo aconteceu com Davi, que cantava salmos em noites de angústia, declarando bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça independentemente de obras. “Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos”. Davi conhecia o peso do pecado, sabia o que era falhar gravemente, mas também experimentava o milagre do perdão que vem pela fé.

Portanto, a promessa de herdar o mundo não veio a Abraão ou à sua descendência através da lei, mas pela justiça da fé. Se os que são da lei são os herdeiros, a fé se torna vazia e a promessa fica sem efeito. Porque a lei produz ira, mas onde não há lei, não há transgressão.

Essa história nos ensina que Abraão creu na esperança contra toda esperança. Seu corpo estava amortecido pelo tempo, com quase cem anos, e o ventre de Sara igualmente amortecido. Mesmo assim, não vacilou na incredulidade quanto à promessa de Deus, mas foi fortalecido na fé, dando glória a Deus, estando plenamente certo de que ele era poderoso para cumprir o que havia prometido.

E assim a fé lhe foi atribuída como justiça. Essas palavras não foram escritas apenas para ele, mas também para nós, a quem igualmente será atribuída justiça – nós que cremos naquele que ressuscitou dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, que foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou para nossa justificação.

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *