Bíblia em Contos

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Parábolas do Juízo Final

Era uma vez, numa tarde poente nas colinas da Judeia, que o Filho do Homem reuniu seus discípulos para contar-lhes uma parábola sobre o fim dos tempos. O céu se pintava de tons alaranjados e púrpura, e uma brisa suave agitava as folhas das oliveiras enquanto Ele começava a narrar com voz que ecoava como o som de muitas águas.

“O Reino dos Céus será semelhante a dez virgens que, tomando suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo”, começou Jesus, seus olhos percorrendo cada rosto atento ao seu redor. “Cinco delas eram prudentes, e cinco eram insensatas.”

Ele descreveu como as virgens insensatas levaram apenas suas lâmpadas, sem se preocupar em trazer azeite extra. Suas vestes eram brancas como a neve, mas leves em preparação. As prudentes, porém, além das lâmpadas, trouxeram consigo vasilhas com azeite adicional. Seus rostos demonstravam a seriedade de quem compreende que a espera poderia ser longa.

“O noivo tardou em chegar”, continuou o Mestre, “e todas elas acabaram cochilando e adormecendo.” A noite caía sobre a narrativa como um manto escuro salpicado de estrelas. Os discípulos podiam quase sentir o frescor da noite palestina, ouvir o silêncio interrompido apenas pelo canto noturno dos grilos.

“À meia-noite, ouviu-se um clamor: ‘Eis o noivo! Saí ao seu encontro!'” A voz de Jesus encheu-se de urgência. “Então todas aquelas virgens se levantaram e prepararam suas lâmpadas.”

Ele descreveu o frenesi do momento – as mãos trêmulas das insensatas tentando acender suas lâmpadas que já fumegavam fracamente. O azeite escasseava, e o pânico se instalava em seus corações. “As insensatas disseram às prudentes: ‘Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão se apagando.'”

Mas as prudentes responderam com pesar: “Talvez não haja o suficiente para nós e para vós; é melhor irdes aos que o vendem e comprareis para vós.” Enquanto as insensatas partiam apressadas na escuridão, buscando desesperadamente por mercadores a horas tão avançadas, o noivo chegou.

“As que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e a porta foi fechada.” Jesus fez uma pausa dramática, deixando que a imagem da porta cerrada se fixasse na mente de seus ouvintes. O som da festa do casamento ecoava de dentro, enquanto fora permanecia a escuridão silenciosa.

“Mais tarde, chegaram as outras virgens, clamando: ‘Senhor, senhor, abre-nos a porta!'” A voz de Jesus tornou-se solene ao reproduzir a resposta do noivo: “Em verdade vos digo: não vos conheço.”

Os discípulos permaneciam em silêncio absoluto, o peso das palavras pairando sobre eles como névoa matinal. Então Jesus concluiu: “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.”

Ele prosseguiu imediatamente com outra parábola, sobre um homem que, ao partir para longe, chamou seus servos e lhes confiou seus bens. “A um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade.”

O homem da história viajou para terras distantes, e os servos ficaram com a responsabilidade sobre os talentos. O que recebeu cinco foi imediatamente aos negócios, negociando com sabedoria até conseguir outros cinco. O que recebeu dois igualmente aplicou-se e conquistou mais dois. Mas o que recebeu um talento cavou um buraco na terra e escondeu o dinheiro de seu senhor.

“Depois de muito tempo”, narrou Jesus, “o senhor daqueles servos voltou e acertou contas com eles.” O que tinha cinco talentos apresentou os dez, e ouviu as doces palavras: “Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.”

O mesmo ocorreu com o servo dos dois talentos, que retornou com quatro. Mas quando chegou a vez do servo que recebeu um talento, ele disse: “Senhor, eu te conhecia, que és homem rigoroso, que colhes onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; e, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.”

A expressão de Jesus tornou-se severa ao reproduzir a resposta do senhor: “Servo mau e negligente, sabias que colho onde não semeei e ajunto onde não espalhei? Devias então ter entregue o meu dinheiro aos banqueiros, e, vindo eu, teria recebido o meu com os juros.”

“Tirai-lhe pois o talento e dai-o ao que tem os dez talentos”, continuou a narrativa, “porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. E lançai o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.”

Finalmente, Jesus descreveu o dia do juízo final, quando o Filho do Homem viria em sua glória, acompanhado de todos os anjos. “Então se assentará no trono da sua glória, e todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.”

Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era estrangeiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão, e fostes me ver.”

Os justos responderão com surpresa: “Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos estrangeiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou na prisão e fomos te visitar?”

E o Rei lhes responderá: “Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus menores irmãos, a mim o fizestes.”

Então se voltará para os da sua esquerda: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; era estrangeiro, e não me hospedastes; nu, e não me vestistes; enfermo e na prisão, e não me visitastes.”

Estes também perguntarão: “Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?”

E Ele lhes responderá: “Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes menores, a mim o deixastes de fazer.” Jesus concluiu solenemente: “E irão estes para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna.”

O sol já se punha completamente quando Jesus terminou de falar. Seus discípulos permaneciam em silêncio, meditando em cada palavra, compreendendo que o verdadeiro discipulado não se manifestava apenas em palavras, mas em preparação constante, em fidelidade nas pequenas coisas e em amor prático demonstrado aos mais pequenos. A noite caía sobre a Judeia, mas nas almas daqueles homens acendia-se uma luz que jamais se apagaria.

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