Era uma época de grande tribulação e desolação no reino de Judá. O profeta Jeremias, homem de profunda sensibilidade espiritual, caminhava solitário pelas colinas áridas que cercavam Jerusalém. O sol escaldante do meio-dia fazia tremer o ar sobre as pedras, criando miragens de água onde só existia terra ressequida. Seu coração pesava-lhe como chumbo no peito, pois via a nação que amava afundar cada vez mais na idolatria e na infidelidade.
Enquanto descansava à sombra escassa de uma rocha, Jeremias fechou os olhos e uma visão poderosa tomou conta de seu espírito. Viu claramente dois caminhos distintos diante do povo de Deus. O primeiro era o caminho daqueles que confiavam em seres humanos, que punham sua segurança na força dos homens. Estes eram como o arbusto solitário no deserto, que habita em lugares áridos na estepe, na terra salgada onde ninguém pode viver. Suas folhas eram murchas e amareladas, seus galhos retorcidos pela sede constante. Quando as tempestades do deserto sopravam, suas raízes rasas não conseguiam se firmar na terra pobre, e ele era arrancado e levado pelo vento quente.
Mas então o profeta viu o segundo caminho – o daqueles que verdadeiramente confiavam no Senhor. Estes eram como árvores magníficas plantadas junto às águas, que estendem suas raízes em direção ao rio. Suas copas eram verdes e viçosas, cheias de folhas que sussurravam com a brisa. Mesmo quando o calor do verão queimava a terra e a seca assolava a região, estas árvores permaneciam frondosas, produzindo folhas sempre verdes e dando frutos na estação certa. Suas raízes profundas bebiam das fontes subterrâneas que jamais secavam.
Ao despertar da visão, Jeremias sentiu o peso da mensagem divina em seu coração. Ele compreendeu que o problema fundamental de Judá não era político ou militar, mas espiritual. O povo havia abandonado a Fonte das Águas Vivas para cavar para si cisternas rotas que não podiam reter água. Sua confiança estava nos tratados com o Egito, na sabedoria humana, nos ídolos de madeira e pedra – em tudo, menos no Deus vivo que os havia tirado do Egito com mão poderosa.
O profita começou a pregar nas praças de Jerusalém, sua voz ecoando entre as paredes de pedra da cidade: “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e está desesperadamente doente. Quem poderá conhecê-lo?” Ele descrevia como os pecados do povo estavam escritos com ponta de diamante, gravados na tábua dos seus corações e nos chifres dos seus altares idólatras. Cada ato de injustiça, cada sacrifício aos baalins, cada vez que oprimiam o estrangeiro, a viúva e o órfão – tudo estava registrado diante do trono do Juiz de toda a terra.
Jeremias profetizou sobre o dia em que o Senhor retribuiria a cada um conforme as suas obras, aos que perseveravam em se afastar dEle e aos que confiavam nEle. Para os primeiros, haveria fogo consumidor que queimaria para sempre. Para os segundos, haveria herança eterna nas moradas celestiais.
Um grupo de sacerdotes idólatras ouviu estas palavras e começou a perseguir Jeremias, acusando-o de falar contra a cidade santa e o templo. Mas o profeta permaneceu firme, lembrando-se das palavras que Deus lhe dissera: “Eu, o Senhor, esquadrinho a mente e provo o coração, para dar a cada um segundo os seus caminhos, segundo o fruto das suas ações.”
Nos anos que se seguiram, enquanto o exército babilônico cercava Jerusalém, as palavras de Jeremias provaram-se verdadeiras. Aqueles que confiaram em alianças humanas e em ídolos mudos pereceram com a cidade. Mas o pequeno remanescente que ouviu a mensagem e confiou no Senhor sobreviveu ao cativeiro, mantendo viva a chama da fé que um dia floresceria novamente quando o Messias prometido viesse para estabelecer um novo coração e um novo espírito em todos os que nEle cressem.




