Bíblia em Contos

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A Fé Perene de Eliabe

Num jardim celestial, onde o tempo dança ao ritmo da eternidade, havia um homem chamado Eliabe cujos dias eram tecidos com fios de gratidão. Todas as manhãs, antes que o sol beijasse os montes, ele se postava diante de sua janela aberta e entoava cânticos que pareciam florescer diretamente de sua alma: “Bom é render graças ao Senhor e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo”.

Eliabe habitava nos vales de Judá, onde as oliveiras sussurravam segredos antigos e as videiras se entrelaçavam como braços em oração. Seus olhos, marcados pelas marés do tempo, testemunharam invernos rigorosos e verões abrasadores, mas sua voz jamais perdeu o tom de admiração ao declarar de manhã a tua benignidade e a tua fidelidade de noite.

Certa vez, quando a lua estava particularmente generosa em pratear os campos, Eliabe viu homens ímpios brotarem como ervas daninhas no vale. Eram comerciantes astutos que enganavam viúvas, guerreiros que se vangloriavam de sua força e príncipes que edificavam palácios com pedras de injustiça. Floresciam rapidamente, como papoulas vermelhas após a chuva, mas seu esplendor era ilusório.

Enquanto isso, nos recantos mais humildes do vale, havia um bosque sagrado onde cresciam cedros do Líbano plantados pelas mãos do Eterno. Essas árvores majestosas elevavam-se como colunas do templo da criação, com raízes que bebiam das fontes secretas da graça. Eliabe observava como mesmo durante as tempestades mais ferozes, esses cedros permaneciam firmes, seus galhos cantando salmos ao vento.

Os anos se desenrolaram como um pergaminho celestial. Os ímpios que antes floresciam com arrogância começaram a murchar como grama sob o sol do meio-dia. Seus palácios tornaram-se ruínas habitadas por corujas, seus nomes foram apagados das memórias como inscrições na areia. Enquanto isso, os justos – aqueles que como Eliabe confiavam no Senhor – tornavam-se como palmeiras alongando-se em direção ao céu, como cedros do Líbano aprofundando suas raízes na rocha eterna.

Num sabá especialmente abençoado, Eliabe já com cabelos mais brancos que as nuvens do Carmelo, foi ao templo levando ofertas de gratidão. Enquanto os levitas tocavam harpas de dez cordas, ele viu uma visão extraordinária: todos os justos que perseveraram na fé estavam florescendo nos átrios de Deus, frutificando mesmo na velhice, cheios de seiva e verdor.

E compreendeu então o mistério: o Senhor é reto, Ele é a Rocha em cuja superfície não se encontra injustiça. Os ímpios são como sonhos que se desfazem ao amanhecer, mas os que se refugiam nas sombras do Onipotente tornam-se perenes como as estrelas que Ele conta e chama pelo nome.

Assim, até seus últimos dias, Eliabe continuou anunciando que o Eterno é reto, o seu refúgio, e não há nele injustiça. E quando finalmente adormeceu nos braços do Criador, as oliveiras no vale inclinaram-se em reverência, pois sabiam que outra alma justa havia se tornado como cedro transplantado para os jardins eternos.

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