Num dia de sol abrasador, quando o calor dançava sobre as pedras do caminho, o velho sábio se sentou à sombra de uma figueira antiga. Seus olhos, marcados pelas estações da vida, contemplavam o vai e vem dos homens na praça. E começou a narrar suas reflexões, como quem despeja pérolas de sabedoria diante de aprendizes sedentos.
“Melhor é o bom nome do que o unguento precioso”, disse ele, enquanto uma caravana de mercadores passava com seus perfumes raros. “E melhor é o dia da morte do que o dia do nascimento.” Os ouvintes se entreolharam confusos, mas ele explicou: “Pois na morte se revela o verdadeiro legado de um homem, enquanto no nascimento apenas promessas vazias repousam sobre o berço.”
Seus dedos ossudos traçaram círculos na terra seca. “Melhor é ir à casa onde há luto do que à casa onde há banquete”, continuou, seus olhos perdendo-se no horizonte. “Porque na casa do luto, o coração do sábio contempla o fim de todos os homens, e na festa, os tolos riem sem lembrar que a vida é como vapor que se desfaz ao amanhecer.”
O sábio fez uma pausa enquanto uma mulher vestida de luto passava carregando uma ânfora. “A tristeza do rosto aflige o coração, mas pela dor o coração se torna sábio e se fortalece. O coração dos sábios está na casa do pranto, mas o coração dos tolos na casa da alegria efêmera.”
Ele ergueu uma mão enrugada quando um jovem começou a protestar. “Mais vale ouvir a repreensão do sábio do que ouvir o cântico dos tolos. Pois como estala o espinheiro debaixo da panela, assim é a risada do tolo. Também isso é vaidade.”
O sol começava sua descida quando o velho homem falou sobre paciência e orgulho. “A opressão faz endoidecer até o sábio, e o suborno corrompe o coração. Melhor é o fim das coisas do que o princípio; melhor é o longânimo do que o altivo de espírito. Não te apresses no teu espírito a irar-te, porque a ira repousa no seio dos tolos.”
Seus olhos pareciam enxergar através do tempo quando advertiu: “Não digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Porque não provém da sabedoria esta pergunta. Boa é a sabedoria com herança; mais ainda para os que veem o sol. Porque a sabedoria serve de defesa, como o dinheiro serve de defesa; mas a excelência do conhecimento é que a sabedoria dá vida ao seu possuidor.”
Uma brisa suave agitou as folhas da figueira quando ele falou sobre a soberania divina. “Considera as obras de Deus; porque quem pode endireitar o que ele fez torto? No dia da prosperidade goza do bem, mas no dia da adversidade considera: Deus fez tanto este como aquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.”
O crepúsculo começava a pintar o céu de púrpura quando o sábio compartilhou suas observações mais profundas. “Tudo isto tenho visto nos dias da minha vaidade: há justo que perece na sua justiça, e há ímpio que prolonga os seus dias na sua maldade. Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo? Não sejas demasiadamente ímpio, nem sejas tolo; por que morrerias fora do teu tempo? Bom é que retenhas isto, e também daquilo não retires a tua mão; porque quem teme a Deus escapa de tudo isso.”
Sua voz tornou-se mais grave. “A sabedoria fortalece ao sábio mais do que dez governadores que haja na cidade. Na verdade, não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque. Não apliques o teu coração a todas as palavras que se disserem; para que não venhas a ouvir o teu servo amaldiçoar-te. Porque o teu coração sabe que muitas vezes tu mesmo amaldiçoaste a outros.”
O sábio fechou os olhos por um momento, como se visse algo além da compreensão humana. “Tudo isto tenho provado por meio da sabedoria; eu disse: Sábio me tornarei; porém ela ainda estava longe de mim. Aquilo que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus busca novamente o que já se passou. Mas achei uma coisa mais amarga que a morte: a mulher cujo coração são laços e redes, e cujas mãos são grilhões; quem for agradável a Deus escapará dela; mas o pecador virá a ser preso por ela.”
A lua começava a surgir quando ele concluiu: “Vê, isto achei, diz o pregador, conferindo uma coisa com a outra, para achar a razão das coisas. Ainda busca a minha alma, porém não a achei; entre mil achei um homem, mas entre todos estes não achei uma mulher. Mas eis que só isto achei: que Deus fez ao homem reto, porém eles buscaram muitas astúcias.”
E assim, sob o manto prateado da noite que se anunciava, os ouvintes retornaram às suas casas carregando nos corações as palavras do sábio, meditando na profundeza dessas verdades que atravessam gerações como rio que nunca seca.




